Tramas da nossa vida

 

SONY DSC“Nossas viagens têm cargas ocultas, de desconhecidos vínculos.”
Cecília Meireles, in Mar Absoluto

Custei a entender que a vida, essa que vivemos diariamente, é constituída por tramas. Tramas simples, tramas complexas, tramas. Delas fazem parte pessoas, de todos os cantos, nossas conhecidas ou não, cuja própria trama vai entrelaçar-se com a nossa trama, e tudo isso que pode parecer um enorme emaranhado tem lógica e razão de ser. Nossas viagens são nossas experiências, cada fato que nos ocorre, cada um deles é fruto de uma trama que parece ter sido desenhada por mãos invisíveis, e o são, dado que cada acontecimento é resultado de uma ação anterior, de um pensamento anterior, de um sentimento anterior. E para que se possa concretizar um evento em nossa vida, faz-se necessário que eventos outros ocorram na vida de outras pessoas, algumas das quais conhecemos e outras que jamais saberemos quem são, permanecerão ocultas nas redes do nosso destino. Eis a chave do bem viver: pensar, sentir e agir por si, mas sobretudo pelo outro, quem quer que seja, onde quer que esteja, pois ele pode estar ainda que indiretamente no traçado da nossa vida.

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“Por entre raízes talvez se veja.”
Cecília Meireles, in Mar Absoluto

Nem sempre saberemos se um evento na nossa vida terá desdobramento na vida de alguém ou se um fato que nos ocorre é fruto da ação de alguém. Se sairmos da superfície dos fatos, onde teimamos em querer entender a vida (com tendência a julgarmos e repudiarmos os eventos que consideramos ruins), e descermos um nível abaixo, quem sabe começaremos a vislumbrar como a água escoa pelas raízes embaixo do solo, para entendermos melhor as tramas da vida. Esse entendimento é peça chave para a aceitação, esta que é fundamental para se promoverem as mudanças. Só posso mudar se estiver ciente do que deve ser mudado, este é o entendimento que precisamos buscar. Nossa mudança inevitavelmente vai implicar a mudança do outro e vice-versa. Tudo tão intrincado, que é difícil imaginar que sejam aleatórios os acontecimentos a que estamos fadados. Não creio honestamente em acaso. Não há lógica em ser gratuita toda dor neste mundo. Porém faz muito sentido que o sofrimento seja um alerta de que algo precisa ser mudado em nós. Momento de parar, olhar por entre as raízes e entender o que em nós deve e pode ser modificado, para que assim seja possível transformar perdas e dores em alegrias e ganhos.

texto e fotos: Danielle Arantes Giannini  

 

 

 

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