sorriso, flores e outras gentilezas

 

gentilezas_rosas

Dia desses recebi flores na rua. De um desconhecido. Um maço enorme. Rosas vermelhas e lindas… não, não foi nada disso que vocês estão pensando!
O causo se passou há uma semana, no sábado passado. O desconhecido, na verdade, era um vendedor de flores que se instala todos os dias com sua Kombi-floricultura em frente a um lugar da minha rotina. Compro flores dele no inverno, quando está frio, para durarem mais, normalmente rosas brancas. No calor, não compro, elas duram pouco no vaso. Não sei o nome dele, nunca conversamos, a não ser para falar das flores! Pois bem, eu estava passando na calçada, rente aos baldes com flores, como de costume. Ele me chamou para ver as rosas, como estavam lindas. Estavam mesmo, mas já fui logo dizendo que não ia levar porque estariam murchas no dia seguinte, tanto era o calor que fazia, e fui andando. O moço insistiu para eu voltar. Voltei e fiquei surpresa quando ele falou que queria me dar as flores de presente. Disse isso já enrolando dois maços num jornal, sem que eu tivesse tempo de pensar. Quando ele me entregou e fiz menção de pagar, o rapaz se recusou a receber, esclareceu que não trabalharia à tarde e as rosas morreriam de qualquer jeito, por isso queria que eu as levasse. Agradeci, feliz da vida. Assim foi feito. Eram tantas rosas, que enchi quatro vasos. De fato, três dias depois…já eram. Porém o gesto do vendedor ficou martelando na cachola. Fiquei pensando no hábito de se fazer uma gentileza a um desconhecido, um amigo, um familiar, quem quer que seja. Quantas pessoas têm esse hábito no seu dia a dia? Quem reconhece e valoriza receber esses gestos? Por que não temos a gentileza por norma de conduta? Ao longo da semana fui tentando responder aos meus questionamentos. Eis as conclusões a que cheguei: sim, existem pessoas gentis aqui ou ali, umas são mal interpretadas, isto é, alguém sempre vai pensar que elas têm segundas intenções; outras sequer são notadas, como o motorista que dá passagem a outro condutor, que nem liga, não agradece, parece que lhe era até obrigação do outro aquele gesto. Tem também um outro tipo de pessoa, aquela que tem medo ou vergonha de ser gentil e segura para si palavras de gentileza, que poderiam valer ouro a outrem. E tem o indivíduo que simplesmente não sabe ou não consegue ser gentil; esse, em geral, não reconhece a gentileza do outro, ele age mecanicamente em função dos seus interesses; não é uma má pessoa, apenas não aprendeu a se doar.

Bem, com tudo isso quero chegar nos finalmentes dessa conversa fazendo uma sugestão. Uma tarefa para  a semana: avaliar seu nível de gentileza, tentar se lembrar da última vez em que foi gentil com alguém e pensar em como incorporar a gentileza no seu cotidiano. A dica que eu dou é, logo ao acordar, já pensar em ser gentil ao sair da cama e ter essa intenção durante todo o dia. Não importa o ato, pode ser um bom dia, um sorriso, um dedo de prosa, parar para o outro veículo, ajudar quem passa com um pacote pesado, escrever um bilhetinho simpático a um colega, enfim, até dar flores a um desconhecido. Vale tudo que tenha o poder de levar um calorzinho a um coração, mesmo que seja apenas calar uma crítica que poderia estragar o dia de alguém. Quem sabe assim, com mais e mais pessoas gentis, passaremos a ouvir suspiros pelas ruas em vez de bufadas! E o melhor de tudo, a gentileza é tão mágica, que enche de afago o coração de quem pratica; ela desanuvia os semblantes e traz sorriso para o rosto. Quem é gentil com o outro, é gentil consigo, isso nunca falha!

Danielle Arantes Giannini

 

 

 

 

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